quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Tecnologia e educação: parceria necessária


Tecnologia e educação: parceria necessária

Entende-se que tecnologia é todo e qualquer produto capaz de tornar mais prática a vida do homem. Tem-se conhecimento de que o primeiro produto tecnológico que o homem criou foi o fogo.  Daqueles tempos até os nossos dias, muita coisa tem sido feita para que a humanidade  viva com mais praticidade.
No que se refere à  educação, as tecnologias devem estar a serviço da melhoria do processo de ensino e aprendizagem. Assim, pode-se considerar como recurso tecnológico, o quadro – negro, o flanelógrafo, o quadro de pregas, o mimeógrafo, a copiadora, o computador a impressora, os livros, entre outros.
Não é necessário que a escola tenha equipamentos tecnológicos de última geração para desenvolver práticas pedagógicas inovadoras. Qualquer recurso que facilite a mediação entre professor e aluno, entre informação e conhecimento, pode ser considerado uma inovação tecnológica.
            Nesse sentido,  Kenski .(2003), argumenta que  a evolução tecnológica não se restringe aos novos usos de equipamentos ou produtos, mas aos comportamentos dos indivíduos que interferem e repercutem nas sociedades, intermediados, ou não, pelos equipamentos. Portanto, entendemos como tecnologias os produtos das relações estabelecidas entre sujeitos com as ferramentas tecnológicas que têm como resultado a produção e disseminação de informações e conhecimentos.
            Assim, é pertinente dizer que nenhuma tecnologia, antiga ou nova, promoverá nenhuma mudança sozinha. Essa mudança passa muito mais pelo querer do professor e da escola. É preciso que haja o envolvimento de todos,  que esteja explícito no projeto político –pedagógico a inclusão das tecnologias como recurso pedagógico para que se possa assegurar que essa transformação realmente se concretize
Percebe-se nesse contexto que a escola está frente ao  desafio de trazer para seu cotidiano  as informações presentes nas tecnologias e as próprias ferramentas tecnológicas, articulando-as com os conhecimentos escolares e propiciando a interlocução entre os indivíduos. No dizer de Porto (2003)  e Marcolla (2004), os saberes veiculados por esses novos recursos tecnológicos, se trabalhados em perspectiva comunicacional, garantem transformações nas relações vivenciadas no cotidiano escolar.
No entanto é pertinente dizer que as novas (e velhas) tecnologias podem servir tanto para inovar como para reforçar comportamentos e modelos comunicativos de ensino.  A simples utilização de um ou outro equipamento não pressupõe um trabalho educativo ou pedagógico. No entender de Orozco (2002), o “tecnicismo por si só não garante uma melhor educação. [...] se a oferta educativa, ao se modernizar com a introdução das novas tecnologias, se alarga e até melhora, a aprendizagem, no entanto, continua uma dúvida” (p. 65). Para o autor, não são os recursos tecnológicos ou a tecnologias da informação e comunicação que garantem a qualidade da aprendizagem. Esta vai muito além do recurso utilizado. Deve estar explícita no projeto pedagógico da escola e ser o objetivo comum de todos os que fazem a unidade de ensino.
Outro ponto a ser considerado no que se refere ao  potencial educativo das tecnologias, é a questão da formação docente, pois embora os novos recursos tecnológicos pressuponham rapidez, recepção individualizada, interatividade e participação, hipertextualidade, realidade virtual entre outros, se o docente não estiver em processo de formação continuada, habilitando- se e desenvolvendo competências  para operacionalizar esses recursos, eles se tornam obsoletos e nenhuma mudança procederá no processo de ensino aprendizagem.
Sobre a formação docente, Porto (2006) argumenta que:


A formação docente, segundo a pedagogia da comunicação, é responsabilidade não só da academia, mas do espaço onde a ação acontece. Uma formação, neste sentido, está aberta novas experiências, novas maneiras de ser, de se relacionar de aprender, estimulando capacidades e ideias de cada um; proporcionando vivências que auxiliem professores e alunos a desenvolverem a sensibilidade e a refletirem e perceberem seus saberes (de senso comum) como ponto de partida para entender, processar e transformar a realidade.


            Isso significa dizer que, mesmo que os docentes não tenham tido na academia uma formação, uma preparação para o uso das novas tecnologias como recurso pedagógico, o espaço de  formação para essa ação deve ser a própria escola. É na troca de experiências, no fazer, no experimentar nas vivências que a formação acontece e interfere na realidade posta.
            A autora sugere que a formação docente para o uso das tecnologias da informação e da comunicação, deve ser embasada numa pedagogia que estabeleça comunicação escolar com os conhecimentos, com os sujeitos e seus contextos, considerando os meios de comunicação. Dialoga-se com os meios, em vez de falar deles (Porto, 2000). Assim,  ela sugere que, em sua complexidade, pode-se dizer que a pedagogia da comunicação é uma abordagem pedagógica processual, que circula entre os sujeitos e os meios tecnológicos a partir de relações entre o senso comum e a ciência, a ação e a reflexão, a razão e a sensibilidade, a objetividade e a subjetividade, o coletivo e o individual, o convencional e o não-convencional.
            Outro ponto que deve ser considerado na relação escola e novas tecnologias é o fato da escola parecer estar sempre voltada para o passado. Como  já foi dito anteriormente, as novas tecnologias da informação e da comunicação trazem para a escola informações imediatas, em tempo real que não podem ser ignoradas. Assim, um outro desafio que se põe ao uso dos recursos tecnológicos nas instituições de ensino  é que os professores reconheçam que já não são os detentores da transmissão de saberes e aceitem que as novas gerações têm outros modos de aprendizagem, baseados em estruturas não lineares, completamente diferentes da estrutura sequencial em que assentam os saberes livrescos tradicionais.
            Os docentes são chamados a compreender que uma nova pedagogia já está sendo inventada  e que esta nova pedagogia concebe as tecnologias como meios, linguagens ou fundamentos das metodologias e técnicas de ensino, sem esquecer de considerá-las como objeto de estudo e reflexão, assegurando sua integração crítica e reflexiva aos processos educacionais.
Pode dizer que o fundamento dessa nova pedagogia deve ser a pesquisa, como mecanismo central do processo de construção do conhecimento, do qual professores e alunos participem criativamente, redefinindo radicalmente os papéis e as relações entre eles e potencializando de modo inédito a construção coletiva do conhecimento.
A nova pedagogia deve permitir a apropriação dos saberes e das técnicas, incorporando-os à escola de modo a valorizar a cultura dos alunos e a criar oportunidades para que todas as crianças tenham acesso a esses meios de comunicação. Humanizar as máquinas de comunicar, dominá-las, sujeitando-as aos princípios emancipadores da educação, eis aí mais um desafio que está posto. ( BELLONI, 1998)
            Deve-se atentar para o fato de que se treinar professores em cursos intensivos e de se colocar equipamentos nas escolas não significa que as novas tecnologias serão usadas para melhoria da qualidade do ensino. Em escolas informatizadas, tanto públicas como particulares, tem-se observado formas de uso que podem ser  chamadas de inovação conservadora. Essa inovação é caracterizada pelo uso de uma ferramenta cara e sofisticada  na realização de tarefas que poderiam ser feitas, de modo satisfatório, por equipamentos mais simples (atualmente, usos do computador para tarefas que poderiam ser feitas por gravadores, retroprojetores, copiadoras, livros, até mesmo lápis e papel). São aplicações da tecnologia que não exploram os recursos únicos da ferramenta e não mexem qualitativamente com a rotina da escola, do professor ou do aluno, aparentando mudanças substantivas, quando na realidade apenas mudam-se aparências.
            Assim, não se pode dizer que o ensino é de qualidade numa determinada instituição apenas porque esta possui laboratório de informática com equipamentos sofisticados ou porque faz parte das estratégias metodológicas adotadas pelos professores o uso de slides, filmes, vídeos, músicas, trabalhos digitados e digitalizados, entre outras, se, concomitante ao uso dessas estratégias e recursos não está presente a reflexão sobre a ação. Se este trabalho se limita a mera exposição por parte do professor e assimilação por parte de alunos passivos, configura-se a mesma educação tradicional, bancária e unilateral tão criticada pelo educador Paulo Freire.
Apesar disso, a escola não pode ficar alheia a todo o aparato tecnológico que invadiu a sociedade atual.  Se queremos educação de qualidade, uma boa infraestrutura torna-se cada vez mais necessária, no entanto, a reflexão, a mudança de postura de toda a comunidade escolar com relação a essa infraestrutura e esses recursos é elemento primordial.
Um projetor multimídia com acesso a Internet permite que o professores e alunos mostrem simulações virtuais, vídeos, jogos, materiais em CD, DVD, páginas WEB ao vivo. Serve como apoio ao professor, mas também para a visualização de trabalhos dos alunos, de pesquisas, de atividades realizadas no ambiente virtual de aprendizagem (um fórum previamente realizado, por exemplo). Podem ser mostrados jornais on-line, com notícias relacionadas com o assunto que está sendo tratado em classe. Os alunos podem contribuir com suas próprias pesquisas on-line. Há um campo de possibilidades didáticas até agora pouco desenvolvidas, mesmo nas salas que detêm esses equipamentos.
Essa infraestrutura deve estar a serviço de mudanças na postura do professor, e é aí que reside o desafio: o docente deve sair do papel de repassador de conhecimento para produtor. Os recursos devem  ajudá-lo, de um lado, na organização do caos informativo, na gestão das contradições dos valores e visões de mundo, enquanto, do outro lado, o professor provoca o aluno, o “desorganiza”, o desinstala, o estimula a mudanças, a não permanecer acomodado na primeira síntese.
Do ponto de vista metodológico o professor precisa aprender a equilibrar processos de organização e de “provocação” na sala de aula. Uma das dimensões fundamentais do educar é ajudar a encontrar uma lógica dentro do caos de informações que temos, organizar numa síntese coerente (mesmo que momentânea) das informações dentro de uma área de conhecimento. Compreender é organizar, sistematizar, comparar, avaliar, contextualizar. Uma segunda dimensão pedagógica procura questionar essa compreensão, criar uma tensão para superá-la, para modificá-la, para avançar para novas sínteses, novos momentos e formas de compreensão.
            Tem-se ainda o desafio de transformar a informação veiculada nos meios de comunicação em conhecimento. No mundo inteiro o rádio e a TV e mais recentemente os computadores invadiram o dia a dia da escola. O desafio das unidades escolares  hoje é preparar os alunos para enfrentarem o mundo do trabalho. Mesmo antes de chegarem à escola, as crianças recebem informações em suas casas. O educador não pode se neutralizar diante da forte influência lançada pela mídia, é necessário cuidado. Afinal, informação não é sinônimo de conhecimento.
É importante que educador e educando aprendam a selecionar as informações apropriadas, verificando e identificando suas proveniências, quem as criou, divulgou-as e qual a intenção das mesmas.
Entretanto, torna-se necessário relacionar teoria e prática para que possamos perceber nos mais diversos meios das tecnologias a importância de avançarmos enquanto educadores e educandos. Dessa forma, o uso da tecnologia vem proporcionar a todos uma nova forma de pensar e de transformar diante desse novo mundo globalizado.
Por tudo isso pode-se dizer que

As instituições educacionais enfrentam o desafio não apenas de incorporar novas tecnologias como conteúdos de ensino mas também mas também reconhecer a partir das concepções que os aprendizes têm sobre essas tecnologias para elaborar, desenvolver e avaliar práticas pedagógicas que promovam o desenvolvimento de uma disposição reflexiva sobre os  conhecimentos e os usos tecnológicos. ( MERCADO,2002)
REFERÊNCIAS:
BELLONI, M.L. Tecnologia e formação de professores. Rumo a uma pedagogia pós-moderna? Educação & Sociedade, Campinas: Cedes, 1998, nº 65.   
KENSKI, Vani Moreira. Tecnologias e ensino presencial e a distância. Campinas: Papirus, 2003.
MARCOLLA, Valdinei. A inserção das tecnologias de informação e comunicação no espaço de formação docente na UFPEL. Pelotas: UFPEL/Faculdade de Educação, 2004.
OROZCO, Guilhermo G.. Comunicação, educação e novas tecnologias: tríade do século XXI. Comunicação e Educação, São Paulo, n. 23, p. 57-70, jan./abr. 2002.
PORTO, Tania M. E. A comunicação na escola e a formação do professor em ação. In: (Org.). Redes em construção: meios de comunicação e práticas educativas. Araraquara: JM Editora, 2003.